Entregas de um projecto de software: aprovadas pelo Cliente ou pelo Utilizador?

As aprovações das entregas de um projecto de desenvolvimento de software devem ser validadas pelos seus utilizadores ao longo do processo.

Premissas

  • O projecto de desenvolvimento serve para resolver um problema.
  • As entregas relativas às várias etapas do projecto (ex. protótipos de sistema) têm de ser validadas para se poder avançar.

Quem aprova e como se aprova tem impacto nos resultados do projecto.

Quem é quem no projecto?

  • Fornecedor: desenvolve o projecto (ex. empresa de consultoria, departamento interno ou subordinado hierárquico dentro de uma organização).

  • Cliente: adquiriu ou solicitou o desenvolvimento do projecto (ex. dono da empresa, superior hierárquico, responsável pela aquisição ou acompanhamento).

  • Utilizador: usará o produto final do projecto (ex. operador, contabilista, administrativo).

Cliente aprova as entregas

Rapidez de desenvolvimento: muito rápido se o Cliente for acrítico. Se o Cliente for muito crítico, tiver fracos conhecimentos de gestão de projectos ou dos objectivos a atingir, entra-se num ciclo de alterações e aprovações que será quebrado quando se aproximar o prazo final do projecto. Nesta altura a pressão da data limite apressará as aprovações.

Utilidade do produto: será útil se o Cliente for o seu único Utilizador. No caso de ser uma contratação externa de serviço (ex. consultoria), poderá será lucrativo para o Fornecedor se este puder legitimamente cobrar trabalhos adicionais devidas a alterações solicitadas pelo Cliente após as aprovações formais.

Desvantagens: o produto final dificilmente será uma solução para o problema que se pretendia resolver (a não ser que o Cliente seja o único Utilizador do produto).

Vantagens: o Cliente ficará satisfeito pois as suas ideias pessoais ficarão espelhadas no produto, o que poderá ser vantajoso para o Fornecedor. Uma empresa de consultoria poderá ficar numa posição vantajosa para ser consultada em aquisições futuras ou um subordinado hierárquico poderá ser recompensado dentro da organização.


Utilizadores aprovam as entregas

Quem aprova: os utilizadores com recurso a testes realizados idealmente por uma entidade imparcial. O Cliente limita-se a exigir que os problemas detectados sejam corrigidos pelo Fornecedor.


Rapidez de desenvolvimento: a fase de análise é mais profunda e os testes são realizados com a participação dos futuros utilizadores do sistema ao longo do projecto, o que poderá dar a sensação de que o processo de desenvolvimento é mais lento. Contudo, alterações dispendiosas em fases avançadas do projecto são minimizadas.


Utilidade do produto: será útil para os seus Utilizadores.

Desvantagem: requer equipas com competências mais abrangentes e mentalização de todos os intervenientes no projecto de que as aprovações e alterações dependem dos resultados dos testes com utilizadores, independentemente das suas opiniões pessoais. Para o Fornecedor, expõe mais exaustivamente as deficiências das entregas.


Vantagem: o produto final corresponderá às necessidades dos seus Utilizadores, constituindo uma solução para o problema, podendo vir a ser reutilizado com maior eficácia pelo Fornecedor.


Conclusões

Ambas as aproximações têm pontos fortes e fracos, pelo que a decisão de qual adoptar depende dos objectivos a atingir. Contudo,

“Give the users what they want the rest will follow” é o mote da Google.


A companhia que mais rapidamente cresceu na história da humanidade.

Para saber mais…

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